Longevidade e envelhecimento - podcast Impulso Positivo

Impulso Positivo destaca boas práticas do envelhecimento e longevidade

O podcast do Impulso Positivo, comandado por Sofia Alçada diretamente de Portugal, traz um episódio especial sobre boas práticas de envelhecimento e longevidade com a participação de Sandra Regina Gomes, diretora e fundadora da Longevida. Especialista em gerontologia com um vasto currículo na área de políticas públicas e no apoio ao envelhecimento e a população mais velha. Sandra destaca boas práticas e casos de sucesso para o envelhecimento e longevidade. Também participa do episódio Silvia Triboni, do Across Seven Seas, que além de entrevistadora foi ponte entre a relação Brasil (Longevida) e Portugal (Impulso Positivo).

O Impulso Positivo é uma plataforma de comunicação focada na temática da longevidade e do envelhecimento ativo e positivo. Sua missão é ser informativo, útil, inclusivo e principalmente inspirador. Sofia Alçada, diretora executiva da plataforma, é consultora e formadora de marketing e empreendedorismo.

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Idosos negros - pesquisa

Estudo em São Paulo aponta que saúde de idosos negros é pior

Jornal da USP / Imagem de Leroy Skalstad por Pixabay 

Um estudo divulgado recentemente mostrou que os idosos negros na cidade de São Paulo apresentam piores condições de escolaridade, renda, hipertensão arterial e menos acesso a serviços privados de saúde em relação aos brancos. Na pesquisa conduzida pelo doutor em epidemiologia Roudom Ferreira Moura, os idosos negros também avaliaram sua saúde de forma pior: 45,5 % dos idosos pardos e 47,2% dos idosos pretos descreveram seu estado de saúde negativamente (regular, ruim ou muito ruim), enquanto nos idosos brancos esse número foi de 33%.

O trabalho consistiu em uma análise estatística que buscou entender a relação entre condições sociais e de saúde e variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais e o uso e o acesso a serviços de saúde associados com cor da pele/raça autodeclarada. Foram avaliados 1.017 idosos do município de São Paulo (63,3% brancos, 21,4% pardos e 7,3% pretos/negros), a partir de dados coletados pelo Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital-SP-2015), da Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Apesar de a maioria da população brasileira ser negra, de acordo com o pesquisador, esse recorte demográfico é minoria entre os idosos, pois a expectativa de vida dos negros é pior que a dos brancos. Segundo Moura, as desigualdades raciais na saúde são um tema historicamente negligenciado na academia brasileira. Até 1996, por exemplo, 87% dos registros de óbitos do Estado de São Paulo sequer tinham indicação de qual era a cor da pele / raça dos indivíduos.

Para o pesquisador, o racismo é uma questão bastante controversa no Brasil, onde a influência de ideias como a teoria da democracia racial, muito difundida por autores como Gilberto Freyre, ainda dificulta o reconhecimento da existência desse problema social. Algo que aparece, inclusive, na resistência de algumas publicações a aceitar artigos pautando esse tema, embora seja inegável a importância de investigar essas desigualdades para a aplicação de políticas de saúde pública de qualidade.

Identificar os fatores determinantes sociais e de saúde da população idosa do município de São Paulo sob uma perspectiva racial foi o objetivo da tese de doutorado de Moura, intitulada Idosos brancos e negros da Cidade de São Paulo: desigualdades das condições sociais e de saúde, orientada pelo professor José Leopoldo Ferreira Antunes, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

O pesquisador afirma que esses indicadores se explicam por condições de racismo estrutural e institucional que se iniciaram, provavelmente, ainda na infância desses indivíduos negros e os afetaram negativamente quanto às questões de desenvolvimento e envelhecimento, classe social, nível de escolaridade, condições e tipos de trabalho, renda, acesso e uso de bens e serviços e condições de saúde.

Pessoa idosa com deficiência - dados IBGE

Um em cada quatro idosos tinha algum tipo de deficiência em 2019

Agência IBGE / Imagem Mulher foto criado por DCStudio – br.freepik.com

Dos 17,3 milhões de pessoas com deficiência no país em 2019, quase metade (49,4%) era idosa, ou seja, tinham 60 anos ou mais de idade. Considerando a população total por grupos etários, um a cada quatro idosos (24,8%) tinha algum tipo de deficiência. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 – Ciclos de vida, divulgada no dia 26 de agosto pelo IBGE.

A deficiência visual teve o maior percentual nessa faixa de idade: 9,2% dos idosos declararam ter muita dificuldade ou não conseguiam de modo algum enxergar. A quantidade de pessoas com deficiência auditiva também aumenta conforme o avançar da idade: cerca de 1,5 milhão de pessoas com deficiência auditiva tinha mais de 60 anos. Isso equivale a 4,3% dos idosos.

O uso de algum recurso para ouvir melhor, como aparelho auditivo e implante coclear, de acordo com o levantamento, era feito por 0,8% da população acima de dois anos, independentemente de ter alguma deficiência ou do grau de dificuldade das pessoas. Entre os idosos, o percentual foi de 3,1%.

A pesquisa também estimou em 3,3 milhões o número de idosos com alguma limitação funcional para realizar Atividades de Vida Diária (AVD), como trocar de roupa, alimentar-se e higienizar-se. Esse contingente corresponde a 9,5% das pessoas nessa faixa etária. A proporção também aumenta à medida que a idade avança, chegando a 18,5% entre as pessoas com mais de 75 anos.

Longevia - Seminário Brasil Portugal

I Seminário sobre longevidade: Brasil e Portugal será no dia 28 de setembro

O I Seminário Internacional sobre longevidade: Brasil e Portugal – Desafios e Oportunidades, uma realização da Longevida, consultoria na área do envelhecimento, foi adiado. Por motivos alheios à Longevida, o evento que seria no dia 31 de agosto foi transferido para o dia 28 de setembro, das 9 às 12 horas, no formato online.

As inscrições para o seminário continuam abertas. Quem já se inscreveu, precisará fazer uma nova inscrição. Veja como participar no site da Longevida: https://www.longevida.ong.br/

O conteúdo do seminário foi mantido. O evento, coordenado por Sandra Regina Gomes, fundadora e diretora da Longevida, abordará a Política Nacional do Idoso, a rede de atendimento à população idosa no Brasil, os Conselhos de direitos da pessoa idosa, o Fundo Nacional do Idoso e experiências de Portugal no atendimento à população idosa. Os inscritos receberão certificado.

O I Seminário Internacional sobre longevidade contará com a participação de Alexandre Kalache, referência internacional em envelhecimento e longevidade e presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR). Destaque também para José Carreira, mestre em Trabalho Social, com pós-graduação em Direito do Envelhecimento, que representa o Movimento #StopIdadismo em Portugal. Haverá ainda palestras de Sandra Regina Gomes, da Longevida, e da assistente social Daniela Reis.

Longevida

A Longevida, consultoria na área do envelhecimento, é uma empresa que atua junto a órgãos públicos, terceiro setor e universidades na área do envelhecimento tendo como missão valorizar e promover a cidadania da pessoa idosa. A empresa nasceu a partir da experiência e expertise da fundadora, a gerontóloga Sandra Regina Gomes, e oferece serviços para formulação, desenvolvimento e realização de programas, projetos, pesquisas, capacitações e treinamentos que ajudem a promover o bem-estar e a cidadania da pessoa idosa.

Roda de conversa discute o envelhecimento saudável

Encontro promovido pela Casa da Vovó Bibia, do Recife, reúne especialistas do Brasil e Portugal e homenageia o médico Manuel Carrageta e o professor Vicente Faleiros  

Envelhecer com saúde é possível? Esse é tema da roda de conversa a ser realizada nesta quarta-feira, dia 25 de agosto, às 17h (horário de Brasília) e às 21h (Portugal). A Casa da Vovó Bibia, do Recife (PE), é a promotora do evento, que será online e poderá ser acessado pelo endereço facebook.com/casavovobibia.

Os palestrantes são a gerontóloga especialista em políticas públicas Sandra Regina Gomes, diretora e fundadora da Longevida; José Carreira, coordenador do Centro de Apoio ao Alzheimer de Viseu (Portugal) e membro do Movimento #stopidadismo; e Stella Câmara, doutora em gerontologia, docente e investigadora no ISCSP – Lisboa. A mediação será feita por Aparecida Brito de Andrade, especialista em saúde do idoso e diretora de projetos sociais da Casa Vovó Bibia. 

O evento também servirá para enfatizar e conscientizar sobre a campanha #velhicenãoédoença, além de homenagear o médico Manuel Carrageta, professor de cardiologia da Faculdade de Medicina de Lisboa e presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG), e Vicente Faleiros, assistente social, professor emérito da Universidade de Brasília e membro do grupo de pesquisa do CNPq Geracionalidade, Imaginário e Violência (Gevim). 

Proteção e garantia dos direitos da pessoa idosa é tema do V Encontro Anual de Cuidadores

O evento online será realizado nesta quarta-feira, dia 25 de agosto, das 14h às 16h

Em sintonia com o momento atual, V Encontro Anual de Cuidadores tem como tema 

Em sintonia com o momento atual, V Encontro Anual de Cuidadores tem como tema “A importância do cuidar: atenção, proteção e garantia dos direitos da pessoa idosa” e será realizado nesta quarta-feira, dia 25 de agosto, das 14h às 16h. 

Organizado pela equipe do Projeto “Cuidando do Cuidador” e voluntários do Programa Básico de Orientação aos Cuidadores de Idosos do Bunkyo (Sociedade de Cultura Japonesa e de Assistência Social) o evento será online pela segunda vez e terá como convidadas a gerontóloga especialista em políticas Sandra Regina Gomes, fundadora da Longevida, e a médica geriatra Jaqueline T. Garcia.

Para participar, basta acessar o link www.youtube.com/bunkyodigital

Across Podcast

Across Podcast recebe Sandra Regina Gomes

No episódio do Across Podcast sobre longevidade e muito mais, Silvia Triboni conversa com Sandra Regina Gomes, diretora e fundadora da Longevida, sobre Políticas públicas efetivas para a pessoa idosa. Profissional dedicada à defesa, à criação e ao exercício de direitos pelas pessoas idosas, Sandra é fonoaudióloga, formada pela PUC-SP, titulada especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) em mestre em Gestão e Políticas Públicas na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Sandra tem atuado na elaboração e concretização das mais atuais e necessárias leis e regulamentos de proteção e valorização da pessoa idosa. Ouça o episódio e compartilhe, pois, como disse Silvia Triboni e a equipe Longevida concorda, conhecer Sandra Regina Gomes é aprender sobre como se faz, e como se põe em prática políticas públicas positivas. O bate-papo também está disponível no canal do YouTube Across Seven Seas.

Testamento vital: já fez o seu?

Por Silvia Triboni*

Nesses tempos de distanciamento social provocados ela pandemia temos nos preocupado em preencher os nossos dias da melhor forma possível. Trabalho remoto; cursos à distância; reuniões online; concertos e espetáculos à distância são apenas algumas das atividades que temos feito nesses dias atípicos.

Mas, será que nesta ânsia de nos ocuparmos de maneira plena e produtiva não estamos a deixar de providenciar algo importante, que poderia facilitar a nossa vida futura e da nossa família?

Já pensou em elaborar o seu Testamento Vital, uma modalidade de Diretivas Antecipadas de Vontade?

Certamente, muitos afirmarão que seus dias têm sido plenos, e que ao final dessa pandemia sentirão que não desperdiçaram o seu tempo enquanto isolados, e, isso será muito bom. Se este é o seu caso, está aí mais um bom argumento para “arregaçar as mangas” e deixar em dia a sua pasta de documentos importantes, formalizando as suas vontades num Testamento Vital, também chamado Diretivas Antecipadas de Vontade.

Saiba que o Testamento Vital é um documento escrito que tem o objetivo de registar o tipo de atendimento médico ou cuidados de saúde, que gostaríamos de receber, ou não, perante uma doença com risco de morte, para que seja apresentado ao serviço de saúde no caso de estarmos impossibilitados de expressar a nossa vontade.

Por que fazer um Testamento Vital?

Ao longo de nossas vidas não costumamos pensar no seu término. Na verdade, evitamos lembrar que somos mortais. Entretanto, quando decidimos pensar a respeito disso, imaginamos que um dia poderemos ser submetidos (a nosso contragosto) a certos procedimentos médicos longos e dolorosos, os quais não necessariamente garantem uma boa sobrevida do paciente, e isso nos causa algum receio.

Afinal, temos o direito de não querer:

  • uma reanimação cardiorrespiratória;
  • ser submetidos a meios invasivos de suporte artificial de funções vitais;
  • medidas de alimentação e hidratação artificiais que apenas visem retardar o processo natural de morte;
  • tratamentos que se encontrem em fase experimental.
  • ser internados em uma instituição de longa permanência 

Estas são apenas algumas das razões que justificam temos em mãos o nosso Testamento Vital.

Nossas diretivas se destinam, portanto, à expressão destes nossos desejos, podendo, inclusive, incluir pedidos especiais como:

  • a assistência religiosa para quando se interrompam os meios artificiais de vida,
  • a presença de determinada pessoa para nossas despedidas.

Importante ressalvar que a recusa do nosso Testamento Vital aos tratamentos citados não diz respeito aos cuidados paliativos, caso possamos vir a precisar, uma vez que eles visam aliviar o sofrimento e possibilitar uma morte digna.

A urgência do Testamento Vital na pandemia da COVID-19

Ficou claro que a COVID-19 não vê idade, classe social ou condição de saúde, pois pode afetar todos.

Normalmente, quando pessoas hospitalizadas estão doentes demais para se manifestarem, seus entes queridos são chamados. Ocorre que as medidas de isolamento contra a COVID-19 podem impedir que familiares estejam presentes, a dificultar aos médicos o conhecimento dos desejos do doente.

Se o familiar não puder ser contactado, o paciente poderá ser intubado, e a ressuscitação poderá ser feita ao contrário da vontade do paciente.

Indivíduos mais velhos com doenças crônicas têm maior probabilidade de desenvolverem doenças graves em razão da COVID-19, sendo, eles, pessoas que podem querer uma morte natural, ou para os quais a cura poderia ser uma exceção. A disponibilidade de um Testamento Vital nessas horas seria providencial.

O momento é delicado e justifica a presente reflexão acerca da preparação do nosso Testamento Vital ou Diretivas Antecipadas de Vontade.

Ponderações e conversas importantes

1 – Reflita

Redigir este documento envolve algumas etapas, sendo a primeira delas, a nossa vontade, a análise introspectiva de nós mesmos, quanto ao que realmente queremos em face da possibilidade de final de vida.

Relevante deixar claro, que o Testamento Vital não diz respeito à eutanásia. Autoriza a escolha entre o adiamento da morte ao custo de sofrimento e a ortotanásia, ou seja, a possibilidade de ter uma morte digna, mediante o desejo do paciente, sem prejuízo de a ele serem oferecidos os cuidados paliativos para alívio da dor e outros sofrimentos.

2 – Converse com o seu médico.

Antes de escrever o seu Testamento Vital converse com o seu médico de confiança e entenda claramente o que as suas escolhas poderão significar.

Aprenda um pouco sobre intervenções médicas que sustentam a vida, como, por exemplo:

  • ressuscitação cardiopulmonar (medidas para reiniciar o coração e a respiração);
  • intubação (uso de um ventilador para respirar);
  • nutrição artificial (alimentação por meio de um tubo no nariz ou no estômago).

3 – Envolva a sua família nesta decisão.

Fale abertamente com a sua família sobre os seus valores e desejos para que o seu Testamento Vital seja realmente respeitado.

Na ocorrência das intervenções mencionadas acima, o sistema de saúde poderá fazer perguntas difíceis a nossos filhos, ou cônjuges, situação em que emoções desafiadoras surgirão. Porém, de posse de nossa diretiva antecipada de vontade, as respostas a tais questões serão menos angustiantes, pois expressará os cuidados que desejamos receber do atendimento médico.

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Silvia Triboni é editora e produtora de conteúdo sobre longevidade, economia prateada e benefícios do turismo para o envelhecimento saudável no site Across Seven Seas www.acrosssevenseas.com

silvia.triboni@gmail.com

Velhice Não é Doença

Brasil pressiona OPAS/OMS e ajuda a conquistar espaço para revisão do termo velhice na CID11

Imprensa Coletivo Velhice não é Doença

A participação brasileira foi intensa nesta quinta (19) no evento ao vivo e online, organizado pela OPAS/OMS sobre ‘As novas demandas do envelhecimento e a CID-11: Perspectivas das Américas’.

Contrários à classificação de Velhice como Doença pela Organização Mundial da Saúde – prevista para vigorar a partir de janeiro de 2022 – profissionais de diversos segmentos, representantes de instituições e da sociedade civil, unidos no coletivo ‘Velhice Não É Doença’ marcaram posição, pressionaram a OMS com embasamento técnico, articularam com vários países, especialmente, os da América Latina, e foram fundamentais para uma primeira conquista.

Oficialmente, ao final do encontro, o Dr Andrés de Francisco, Diretor FPL, OPAS/OMS declarou que está aberta a possibilidade para os países encaminharem sugestões para a substituição do termo ‘velhice’.

Para o médico epidemiologista e gerontólogo Dr Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR), referência mundial em envelhecimento e uma das principais lideranças do movimento ‘Velhice Não É Doença’ foi fantástico termos logrado esse marco. ‘Se não fosse a pressão sobre tudo que fizemos,
a estratégia que nós traçamos, o papel que cabe à sociedade civil eles não teriam se sentido tão incomodados’, enfatiza. Fato, pois, foi à última hora que modificaram o programa do evento que era meramente informativo.

Ainda que o Brasil não tenha sido convidado a compor a mesa neste evento, lideranças do coletivo ‘Velhice Não É Doença’ fizeram intensas articulações internacionais. Tanto que resultou na participação em concordância com a posição brasileira por parte do Dr Jose Ricardo Jauregui (Argentina), presidente da Associação Internacional de
Gerontologia e Geriatria (IAGG) e do professor Dr Luis Miguel Gutierrez, diretor do Instituto Nacional de Geriatria do México, com os quais Kalache conversou e deixou claro que a sociedade civil estaria atentamente acompanhando suas manifestações.

Creio que a conclusão importante hoje é de que haverá, sim, um debate sério, acadêmico, com propostas a serem oferecidas à OMS’, salienta o gerontólogo.

O próximo passo será a realização de uma nova roda de conversa para que se encontre, em consenso, um novo termo que substitua ‘velhice’ na Classificação Internacional de Doenças (CID11). ‘E nós, brasileiros, estaremos nessa discussão, representando a nossa voz. Nada para nós sem nós!’, declara Kalache, orgulhoso e grato pelo empenho e determinação de todos do movimento.

Um primeiro passo comemorado. Mas, como alerta Kalache: ‘A luta não terminou. Vencemos essa batalha. Mas não vamos esmorecer. Agora estamos em outro patamar, e acho isso fantástico!’.

As ações do coletivo ‘Velhice Não é Doença’ continuam mobilizando profissionais dos mais diversos segmentos, sociedades médicas e entidades organizadas da sociedade civil em prol de continuar pressionando e acompanhando para garantir que Velhice não seja considerada doença na CID 11 pois seria um imenso retrocesso, e para ajudar a combater o idadismo (preconceito etário) e pela valorização das pessoas no processo do envelhecimento.

Participe do Movimento “Velhice não é Doença!” Assine o manifesto, acompanhe tudo pelas redes sociais e ajude a divulgar:

Carta Manifesto – https://www.tinyurl.com/velhicenaoedoenca

E-mail: velhicenaoedoenca22@gmail.com
Instagram:@velhicenaoedoenca22
Facebook: @velhicenaoedoenca22
Twitter: @velhonaoedoente

Velhice Não é Doença

Movimento “Velhice Não É Doença” mobiliza a sociedade

Imprensa Coletivo Velhice não é Doença / Imagem: Pessoas foto criado por rawpixel.com – br.freepik.com

O envelhecimento da população é um fenômeno global e, no Brasil, especialmente acentuado nos últimos 20 anos, tendendo a acelerar ainda mais nas próximas décadas. Atualmente, as mais de 34 milhões de pessoas acima dos 60 anos são responsáveis por 23% do consumo de bens e serviços no país, contribuindo assim, com seus recursos, para o crescimento da sociedade em geral. Estima-se que em 2040, 57% da força de trabalho brasileira terá mais de 45 anos, conforme aponta pesquisa da consultoria da PWC com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) – com o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) – estabeleceu em sua resolução de dezembro de 2020 a Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), em consonância com o protagonismo, dinamismo e a importância dos mais velhos mundo afora.

No entanto, a Assembleia Mundial de Saúde, órgão de governança que estrutura e apresenta as ações a serem cumpridas pelas OMS, prevê instituir a velhice como doença, na Classificação Internacional de Doenças, em sua edição de número 11 – CID 11, a partir de 01 de janeiro de 2022, numa clara incoerência à realidade demonstrada até aqui através de seu trabalho na área.

A inclusão da velhice como doença na CID-11 representa a migração de um marcador social (com todas as subjetividades culturais, sociológicas e antropológicas das populações mundiais) para o âmbito de um mecanismo que padroniza enfermidades – o que não contempla a diversidade e as identidades das sociedades e suas construções sociais, econômicas e culturais.

A velhice é uma das etapas de nosso curso de vida e não pode correr o risco de ser interpretada como doença, e sim como a maior conquista social dos últimos 100 anos. Considerar a etapa da velhice como doença é um retrocesso que em muito contribuiria para acentuar globalmente preconceitos em relação à longevidade – o que denominamos idadismo, traduzidos em estigmas que marcam profundamente a saúde emocional e psicossocial das pessoas idosas.

A promoção do envelhecimento deve vir com oportunidades de protagonismo, numa sociedade em que os mais velhos sejam respeitados e valorizados por suas potencialidades como sujeitos de direitos. Lembrando sempre que os jovens de hoje serão os idosos de amanhã – portanto, esta é uma causa de todos.

Um grupo de entidades e representantes da sociedade civil se uniram e criaram o Movimento “Velhice não é Doença”. O coletivo lançou um manifesto aberto a todas as pessoas, empresas, entidades e movimentos sociais que queiram assiná-lo e conta com mais de 3200 assinaturas. O objetivo do movimento é pressionar os deputados, senadores e o governo federal para que cobrem que a OMS reveja a classificação que considera velhice uma doença. 

O documento é subscrito pelas seguintes autoridades e personalidades:

Alexandre Kalache – Centro Internacional da Longevidade – ILC Brasil

Danilo Santos de Miranda – Diretor do SESC-SP

Lucia Secoti – Ex Presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa – CNDI

João Batista Lima Filho – Comissão de Bioética – CNBB

César Eduardo Fernandes – Presidente da Associação Médica Brasileira – AMB

Patrícia Sereno – Programa Até os 120 – Federação Israelita do Estado de São Paulo

Maria Regina Ermírio de Moraes – Instituto Velho Amigo

João Batista de Andrade – Cineasta e Escritor

Sandra Gomes – Longevida Consultoria

Ivete Berkenbrock – Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG

Gilberto Natalini – Associação Popular de Saúde

Maria Lucia Rodrigues – Coordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa – PPI

Luiz Roberto Ramos – Escola Paulista de Medicina – EPM

Meiry Fernanda Pinto Okuno – Escola Paulista de Enfermagem /UNIFESP

Tomas Freund – Conselho Estadual do Idoso de São Paulo

Neide Duque – Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo

Joel Padula – Superintendente SESC-SP

Cris Monteiro- Vereadora da cidade de São Paulo

Carlota Esteves – CEO do Movimento Longevidade Brasil

Yeda Aparecida de Oliveira Duarte – Estudo SABE/ Saúde, Bem Estar e Envelhecimento/ O que Rola na Geronto

Karen Garcia de Farias – Sessentônica

Marta Fontenele – Jornalista e Pesquisadora do Envelhecimento

Wagner Romão – Cientista Político/UNICAMP

Lina Menezes – Faz Muito Bem 50+ e Tudo Sobre Alzheimer

Beltrina Corte – Portal do Envelhecimento e Espaço Longeviver

Eduardo Jorge – Médico Sanitarista e Ambientalista

Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência – AMPID

Confederação Brasileira dos Aposentados – COBAP

Luis Eduardo Merces – Itaú Viver Mais

Vanessa Idargo Mutchnik- Comitê 60+ Grupo Mulheres do Brasil

Letícia Bittar- OAB Pará

Morris Litvak- Maturi

Eva Bettine e Camila Tiome Baba- Associação Brasileira de Gerontologia- ABG

Silvia Triboni- Across Seven Seas

Ida Nuñez- Adulto+/Inova360/ Record News

Diego Felix Miguel- Convita

Eduardo Meyer- Coletivo Trabalho 60+

Vera Caovilla- 50 mais Ativo

Áurea Soares Barroso- Pastoral da Pessoa Idosa

Dayane Alves- Instituto Família Barrichello

Carla Santana – Sociedade Brasileira de Gerontecnologia

Vera Caovilla- 50 mais Ativo

Luís Baron- Eternamente Sou

Luciana Feldman- Publicitária e Pós Graduanda em Gerontologia

Marco Antonio Vieira Souto – publicitário

Henrique Sergio Sznifer

Sandra Maria Perrone Sznifer

Warley Martins Gonçalves