José Carreira e Silvia Triboni fizeram parte da comitiva

StopIdadismo e Jornal do Centro lançam calendário sobre preconceito etário

Por StopIdadismo

Um calendário criativo, para sensibilizar crianças nas escolas sobre a importância do combate ao preconceito etário, acaba de ser lançado pelo Movimento StopIdadismo em parceria com o Jornal do Centro, órgão de comunicação social da região de Viseu, em Portugal. O “Calendário 8 e 80” para o ano 2022 busca promover, por meio de uma linguagem simples e desenhos exclusivos, adequados à idade dos estudantes, as práticas da educação para a não discriminação, já objeto de trabalho em muitas escolas.

Calendário 8 e 80

“Sabemos o quanto as crianças são multiplicadoras das boas práticas. As atitudes importantes que aprendem na escola são depois transmitidas aos familiares, aos amigos e alcançam toda a sociedade. Acreditamos que o calendário contribuirá para ensiná-las sobre como podem ajudar a reduzir os preconceitos e a marginalização das pessoas devido à idade”, afirma Jose Carreira, coordenador do StopIdadismo em Portugal.

De acordo com ele, a criação e a produção do calendário foram possíveis graças ao apoio do Jornal do Centro, veículo de comunicação que exerce importante papel na divulgação da região e está sempre associado a causas orientadas para o bem comum.

“O calendário é uma ferramenta em linha com as estratégias definidas pela Organização Mundial da Saúde para o combate ao idadismo, que compreende a realização de atividades educativas e intervenções intergeracionais, entre outras”, destaca o coordenador.

Por ocasião do lançamento da publicação, representantes do movimento entregaram exemplares do calendário à secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro; ao secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, e ao secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo. Na imagem principal, a comitiva com Carreira e participação da colaboradora da Longevida, Silvia Triboni.

Associação StopIdadismo

No encontro, foi anunciado em primeira mão o início do processo de criação da Associação StopIdadismo, que permitirá fortalecer as ações desenvolvidas pelo movimento desde abril de 2021. A Associação já trabalha com parceiros ibero-americanos na criação de uma ferramenta para fomentar boas práticas no combate ao idadismo nas entidades públicas e privadas, com o objetivo de construir um #MundoParaTodasAsIdades / #AWorld4AllAges.

Integrado por diversas organizações iberoamericanas, o movimento StopIdadismo foi criado como uma resposta da sociedade civil internacional a uma das maiores violências contemporâneas contra a pessoa idosa, o preconceito por idade, conhecido como idadismo. O objetivo central do movimento é produzir e difundir informações, reflexões, dados atualizados e outros elementos que contribuam para ações organizadas de enfrentamento ao idadismo. Nesse sentido, vem promovendo uma série de campanhas de conscientização sobre o problema. A Longevida é parceria do movimento.

Mais informações em www.stopidadismo.pt

Websérie Idadismo - André Cabral, Marcio Lobo, Cinthya Charone, Sandra Gomes, Libras

Longevida celebra sucesso da websérie contra o idadismo

A Longevida Consultoria comemora o sucesso da estreia da websérie “Idadismo: Entre Imaginários e a Vida Vivida”. O primeiro de seis episódios contou com a participação do psicólogo André L. Cabral, da médica dra. Cynthia Charone e do cartunista Marcio Lobo, e já tem mais de 200 visualizações no Facebook e mais de 1.300 no canal no YouTube. A moderação foi de Sandra Gomes, fundadora e diretora da Longevida. Jocelia e Nil Alves foram os intérpretes de Libras, enviados pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de São Paulo.

A websérie faz parte das ações iniciadas em 1 de outubro de 2021, Dia da Pessoa Idosa, com o lançamento da Campanha de Enfrentamento ao Idadismo #Lugardepessoaidosaéondeelaquiser. A iniciativa da Longevida incluiu uma série de lives e teve como ponto alto a divulgação do Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo, no dia 10 de dezembro de 2021, Dia dos Direitos Humanos. O Glossário é o norteador da websérie que volta no dia 28 de março, às 19 horas, com o segundo episódio, trazendo o idadismo sob a perspectiva da pedagogia.

Os parceiros da iniciativa são a Prefeitura do Recife, por meio da Gerência da Pessoa Idosa; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) com o Núcleo de Envelhecimento, Velhice e Idosos (Nevi); Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo; Conselho da Pessoa Idosa do Recife; Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de São Paulo; Casa Vovó Bibia de Apoio à Família, também de Recife (PE), a plataforma Vitrine Sem Idade, da Universidade de Brasília, o Grupo Cynthia Charone e o Movimento Atualiza.

Primeiro episódio

Na abertura, Sandra destacou o quanto o preconceito está enraizado em nossa cultura, por meio da linguagem com tantas expressões e frases idadistas, por isso a necessidade de desmistificar estigmas e estereótipos e sensibilizar as pessoas “para que fiquem cientes do que estão falando, para quem e como”. Como ela bem destacou é uma chave difícil de virar, e a Longevida vem caminhando nesse sentido.

O episódio contou com três vídeos com depoimentos de pessoas idosas, que frequentam o Grupo Cynthia Charone, em Belém (PA) e contaram como o idadismo impacta suas vidas. Raimunda Jacob, 67 anos, disse que nota os comentários por onde passa que deveria se colocar em seu lugar. “Não aceito isso, meu lugar é onde eu quero estar e como eu quero estar… Se tem na vida uma pessoa que se ama, sou eu”.

Outro depoimento foi de Antonio Alves, 72, natural do Piauí, que mora há 50 anos em Belém. Ele contou que se sente um pouco humilhado com os comentários que ouve, mas “a coisa melhor do mundo é viver”. Para ele, “o importante é ser feliz, é o que eu quero”. Maria Habigair, 65, falou da discriminação na própria família, principalmente em relação às roupas que gosta de usar. “Tudo isso a gente sofre, mas deixo passar. Continuo vivendo do meu jeito, da minha maneira. Sou uma mulher muito feliz!”. Os depoimentos foram retratados em cartuns feitos por Lobo.

Perspectivas

Em sua participação, o psicólogo André L. Cabral, elogiou a iniciativa e disse estar emocionado com a qualidade do trabalho. Ele também é professor, especialista em psicanálise aplicada à educação e saúde e mestre em Gerontologia. Seu trabalho com a população idosa é focado na intergeracionalidade, buscando desmistificar o envelhecimento através da própria vivência dos jovens com a pessoa idosa.

Um conceito trabalhado pelo psicólogo é o movimento de autoinvestimento. Segundo ele, é necessário que a pessoa idosa invista em si mesma, no próprio desejo, se lançar no social, confrontando aspectos do idadismo. André ressaltou a necessidade de os idosos estarem empoderados de seus direitos, com incentivo a autoestima, consciência da potencialidade, da capacidade de escolha: “É possível falar de futuro cada vez mais na velhice, é preciso aceitar que a gente tem essas possibilidades”.

A médica oftalmologista Cynthia Charone, é presidente do grupo que leva seu nome em Belém, e atende cerca de seis mil pessoas idosas. Ela tem especialização em Gerontologia e em Gerontologia e empreendimentos. No Pará, são 18 unidades do grupo, oito delas voltadas para o público 60+ com acompanhamento muldisciplinar e interdisciplinar. O grupo também trabalha a intergeracionalidade com ações com crianças e jovens.

“Os próprios idosos já são tão feridos pela população, que já chegam desmotivados de se inserir em alguma coisa por que tem um autopreconceito. Como a gente trabalha com muitas pessoas idosas, eles vão começando a se encontrar nos seus pares, em quem frequenta há mais tempo, e percebem que estão vivos, têm direitos também, passam a se sentir mais bonitos, empoderados, autônomos. Tudo isso é um processo”, detalha a médica.

O idadismo, como salientou Cynthia, não está apenas na rua, mas também dentro de casa, expresso pela própria família: “Quem somos nós para julgar, apontar o dedo, o mais maduro tem mais para ensinar, para ser respeitado… Nós incentivamos a autoestima, o orgulho pela história da vida, o respeito pelos pares, independente se tem mais ou menos dificuldade. A empatia é maior quando consegue se enxergar no outro”.

Assista o episódio completo no Facebook ou no canal do YouTube da Longevida.

Change.org - SoyMayorNoidiota- sr Carlos San Juan de Laorden

“SOU VELHO, NÃO IDIOTA!”

Por Silvia Triboni

Sou velho, não idiota! Esta frase de protesto que pode muito bem ser dita por muitos de nós foi o “grito” dado por Carlos San Juan de Laorden, um senhor espanhol de 78 anos, em resposta ao precário atendimento bancário que a Espanha oferece às pessoas mais velhas.

Em meio a uma onda de fechamento de agências e mais e mais serviços bancários estarem disponíveis apenas na forma digital, o Sr. Carlos San Juan de Laorden, morador de Valência, na costa sudeste da Espanha, decidiu dar voz não só à sua revolta mas à de todos aqueles que se sentem “abandonados” pelo sistema bancário.

O bravo senhor lançou uma petição no Change.org (uma plataforma de petições) com o nome: “Sou velho, não idiota” (Soy mayor, no idiota). Nesta petição requer ao Banco Santander, Bilbao Viscaia BBVA, Banco de Espanha, Bankinter, Ministério de Assuntos Econômicos y Transformación Digital, e outros, tratamento humano pois não quer mais se sentir tratado como idiota quando não souber operar os sistemas digitais.

Change.org - SoyMayorNoidiota- sr Carlos San Juan de Laorden

A garra e coragem de um idoso na luta contra a exclusão praticada pelos bancos

O descaso com que o sistema bancário espanhol trata as pessoas de todas as idades ao desconsiderar o grau de literacia digital de cada um, ignorando as suas dificuldades de acesso aos serviços eletrônicos, não é diferente no Brasil.

No ano passado, cerca de 11% das agências bancárias na Espanha fecharam para cortar custos sob a alegação de que os clientes haviam mudado para o banco on-line.

No Brasil, segundo o Banco Central, 2.351 agências bancárias foram fechadas na pandemia. Os bancos afirmam que o aumento dos meios digitais de pagamento é a razão da reestruturação da rede física. Na verdade ignoram as dificuldades advindas deste processo digital, e nada fazem para melhor atender clientes em suas dificuldades de acesso.

Muito mais do que somente criticar o desserviço bancário na imprensa ou redes sociais, Sr. Carlos San Juan, de 78 anos, foi além. Agiu! Movimentou-se efetivamente ao organizar o abaixo-assinado que em seus primeiros quatro dias já agregava mais de 200 mil assinaturas.

Cheguei a me sentir humilhado ao pedir ajuda em um banco e ser tratado como se eu fosse um idiota por não saber como concluir uma operação

“Tenho quase 80 anos e fico muito triste ao ver que os bancos esqueceram as pessoas mais velhas como eu”, desabafa o Sr. Carlos San Juan em sua petição.

“Agora quase tudo está online… e nem todos nós entendemos de máquinas. Não merecemos essa exclusão. É por isso que estou pedindo um tratamento mais humano nas agências bancárias.

Tem que pedir por telefone mas liga e ninguém atende… E acabam te redirecionando para um aplicativo que, de novo, não sabemos usar. Ou eles o enviam para uma filial distante que você pode não ter como chegar. Cheguei a me sentir humilhado ao pedir ajuda em um banco e ser tratado como se eu fosse um idiota por não saber como concluir uma operação. Isso não é justo nem humano”, afirma o Sr. De Laorden.

Os problemas em questão afetam muitas pessoas, entretanto, os adultos mais velhos são os que mais sofrem quando precisam resolver os assuntos bancários do dia a dia.

Muitas pessoas mais velhas estão sozinhas e não têm ninguém para ajudá-los, e muitos outros, como eu, querem ser capazes de permanecer o mais independente possível também na nossa idade. Mas se complicam tudo e fecham os escritórios, estão excluindo aqueles que têm dificuldade em usar a Internet e aqueles que têm problemas de mobilidade.

Se você deseja assinar a petição do Sr. Carlos San Juan no Change.org, pode fazê-lo aqui.

“Assine para solicitar que os bancos sirvam as pessoas idosas sem obstáculos tecnológicos e com mais paciência e humanidade. E que mantenham agências abertas onde uma pessoa possa servi-lo…

Change.org - SoyMayorNoidiota- sr Carlos San Juan de Laorden

Não somos idiotas mesmo! O exemplo do Sr. Carlos deve ser seguido!

“Temos que lutar por nossos direitos, pacífica, mas incansavelmente.”, diz o Sr. Carlos em sua petição.  

Este é o conselho do Sr. Carlos San Juan de Laorden que começou a angariar apoio para a sua reclamação entre pessoas de sua família, amigos e conhecidos, e hoje com o impulso da Change.org chegou a todos os cantos de Espanha e já conta com mais de 600 mil assinaturas.

A luta do senhor espanhol de 78 anos já anuncia conquistas que beneficiarão muitas pessoas

Quando contatado, Carlos San Juan deixou claro ao jornal espanhol “20 Minutos” que não queria “desculpas individuais”, já que a luta é de “todo o grupo dos mais vulneráveis”.

Assim ele se pronunciou depois que a primeira vice-presidente e ministra da Economia e Transformação Digital, Nadia Calviño, aponto ao setor bancário, em reunião, a necessidade de adotar medidas para garantir o acesso de pessoas com mais de 65 anos aos serviços financeiros.

BOAS NOTÍCIAS DO SR. CARLOS EM 8 DE FEVEREIRO DE 2022

Estou um pouco nervoso, na verdade. E animado. Agora estou a caminho de Madrid porque hoje vou registrar nossas assinaturas tanto no Ministério da Economia quanto no Banco da Espanha.

Em ambas as reuniões explicarei por que nosso pedido é tão urgente, e falarei não só em meu nome, mas também em seu nome, no caso, 600.000 pessoas que me trouxeram aqui. E, acima de tudo, vou falar em nome de todas aquelas pessoas que precisam de uma melhoria na atenção nos bancos e que nunca aderirão a esse pedido. Eu os vi se sentindo sozinhos na frente de um caixa ou chorando na porta de uma agência. Para todos eles temos que continuar.

Hoje é o registro de assinaturas, mas não significa que nossa campanha termine aqui. Pelo contrário, se estou a caminho de Madri, é para dizer ao Ministério que não vamos desistir. O apoio dessas semanas e a velocidade com que excedemos meio milhão de assinaturas mostra que a exclusão financeira preocupa muitas pessoas. E se conseguirmos essa mobilização para melhorar a atenção dos bancos, não vamos ficar aqui.

Obrigado por se juntar a mim em um dia tão importante.”

A GRATIDÃO É NOSSA

O Senhor Carlos San Juan de Laorden agradece os seus apoiadores e nós o agradecemos pelo exemplo de coragem, sabedoria e determinação que demonstra o quanto nós, os maduros, somos capazes de agir e nos mobilizar na defesa de nossos direitos e nos interesses de toda a sociedade.

Como bem diz o Sr. Carlos: SOMOS VELHOS, NÃO IDIOTAS!

Silvia Triboni

Fundadora do projeto Across the Seven Seas, Repórter 60+ e Deputy Ambassador na Aging2.0 Lisbon

www.acrosssevenseas.com

(Imagens – Plataforma Change.org )

Política Nacional da Pessoa Idosa - PNI

28 anos da Política Nacional da Pessoa Idosa: avanços e retrocessos

Por Katia Brito – Blog Nova Maturidade

A Política Nacional da Pessoa Idosa completou, em janeiro, 28 anos, entre avanços e retrocessos. A avaliação é do prof. dr. Vicente Faleiros, presidente da Comissão de Políticas Públicas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), assistente social e doutor em sociologia. “A PNI – Política Nacional do Idoso, hoje Política Nacional da Pessoa Idosa, de 1994, deu visibilidade à questão do envelhecimento no Brasil e à condição de vida e de desigualdade de milhões de pessoas com envolvimento do Estado na promoção de direitos desse segmento”, destaca.

Vicente Faleiros - PNI

Faleiros (foto: Divulgação), de 81 anos, ressalta que a Constituição de 1988 dispõe sobre a participação das pessoas idosas na vida social e pública e implanta a seguridade social, integrando saúde pública, previdência e assistência social. A carta magna cria o benefício para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, regulamentado pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), em 1993, como Benefício de Prestação Continuada (BPC). Há mais de 4,7 milhões de beneficiários no país, entre pessoas idosas e pessoas com deficiência.

A PNI, de acordo com o presidente da Comissão de Políticas Públicas da SBGG, ainda é “declaratória de direitos, mas indica responsabilidades dos ministérios e abre ação conjunta”. Promulgada em 1994, a legislação foi regulamenta em 1996, e o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI) previsto no texto, só foi implantado em 2002 e aperfeiçoado em 2004.

Segundo Faleiros, vários estados já haviam criado conselhos estaduais. A lei que cria o Conselho Estadual da Pessoa Idosa de Minas Gerais, por exemplo, é de 1999. O órgão de São Paulo precede a PNI, foi criado em 1987.

Estatuto do Idoso

Entre os avanços da PNI, Faleiros cita a integração das políticas, da participação, da descentralização e valorização da pessoa idosa. Porém, segundo ele, “foi o Estatuto do Idoso, de 2003, que elencou direitos do segmento como dever do Estado e estabeleceu um sistema de proteção para o envelhecimento digno e o direito ao envelhecimento diverso, ativo, com cidadania e participativo”.

Para o professor, o Estatuto é “um marco fundamental da proteção à pessoa idosa, tornando obrigatória a intervenção do Estado para assegurar direitos e o envelhecimento digno, ativo e participativo”. Com a nova legislação, Estados e municípios criaram conselhos e fundos. O diferencial do Estatuto para a PNI, de acordo com Faleiros, está na “mudança de paradigma de formulação de políticas para obrigatoriedade de políticas para e com a pessoa idosa e maior sistematização da rede de proteção”.

Desafios

Mesmo com os avanços, como explica o professor “há ainda preconceitos, discriminação e violência contra a pessoa idosa”, e também falta uma política de formação de cuidadores, de cuidados e, principalmente, de atenção básica e primária, e na saúde mental para o segmento idoso.

Para Faleiros, “os maiores retrocessos aconteceram no governo Bolsonaro, com amputação da participação no CNDI, pelo Decreto 9893/19; negacionismo da vacina; redução e dificuldade a direitos na previdência; corte de verbas na assistência, e ataques aos direitos aos planos de saúde. O orçamento para o segmento é ridículo”. Ele ainda cita a Rede Nacional de Defesa e Proteção da Pessoa Idosa (Renadi), que ficou só no papel, e a V  Conferência dos Direitos da Pessoa Idosa, adiada para 2021, e realizada com participação controlada.

Outro desafio é a carência de médicos geriatras. “Há avanços na residência e formação em geriatria, mas ainda é insuficiente e os planos de saúde não valorizam esse profissional. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) tem um diploma de especialista em geriatria e também em gerontologia que estimula a titulação de profissionais. Há cursos de formação para gerontólogo e também pós-graduações”, destaca Faleiros.

Colocar o envelhecimento na pauta nas eleições deste ano também parece um sonho distante: “A política e a estratégia de serviços para a pessoa idosa como direitos ainda não entrou na agenda dos partidos e alguns políticos querem fortalecer ainda o assistencialismo como um favor para um coitado. A pessoa idosa é cidadã de direitos, merece retorno e respeito por sua  contribuição à previdência e à sociedade. Portanto não é peso algum”.

Rede integrada

Para uma maior efetividade das políticas em favor da pessoa idosa, Faleiros acredita que “a rede integrada de proteção à pessoa idosa ainda está como horizonte, devendo levar em conta a desigualdade do envelhecimento, agravada pela população idosa na rua. O arcabouço de serviços progressivos precisa ser estratégia com centros de convivência, centros diurnos e noturnos, hospital dia, acompanhantes, cuidadores domiciliares. A maior longevidade traz desafios e oportunidades”.

(Imagem principal: Woman photo created by freepik – www.freepik.com)

Websérie - Idadismo

Websérie vai abordar o idadismo vivido e imaginário

Em fevereiro, tem novidade na Longevida com o lançamento da websérie “Idadismo: Entre Imaginários e a vida vivida”. Serão seis episódios, um a cada mês, com a temática do preconceito contra a pessoa idosa abordada por profissionais multidisciplinares, como psicólogos, pedagogos, historiadores, sociólogos, linguistas, entre outros. A iniciativa trará também depoimentos de pessoas idosas, que vivenciam a discriminação.

A websérie faz parte da campanha #LugarDePessoaIdosaÉOndeElaQuiser, lançada em outubro de 2021 pela Longevida, em referência ao Dia Mundial da Pessoa Idosa. Os episódios vão abordar o problema do idadismo, repercutindo os testemunhos levantados no nosso Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo, divulgado em dezembro. O material está disponível para download gratuito pelo link .

Os parceiros da iniciativa são os mesmos que colaboraram no Glossário Coletivo: Prefeitura do Recife, por meio da Gerência da Pessoa Idosa; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo; Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de São Paulo; Casa Vovó Bibia de Apoio à Família, também de Recife (PE), e o Movimento Atualiza.

Recentemente, o Grupo Cynthia Charone, de Belém (PA), referência em oftalmologia e atenção humanizada ao envelhecimento, também se tornou um importante parceiro do Glossário Coletivo. Assim como a professora Leides Barroso Azevedo Moura, profa. associada da Universidade de Brasília, uma das criadoras da plataforma Vitrine100Idade.

Estreia

A estreia da websérie será no dia 21 de fevereiro, com a participação do psicólogo André Cabral (PE), da médica Cynthia Charone (PA) e do cartunista Lobo, autor dos cartuns com o tema #LugarDePessoaIdosaÉOndeElaQuiser. A série será transmitida pelos canais do Facebook – https://www.facebook.com/longevidaconsultoria – e do YouTube da Longevida – https://www.youtube.com/c/Longevida. Em breve mais novidades.

Comunicação inclusiva

Guia para não sermos etaristas em nossas comunicações

Por Silvia Triboni

Sabemos muito bem que o preconceito de idade é nocivo para as pessoas e para toda a sociedade. Entretanto, sabemos também que pequenas mudanças na maneira como falamos ou escrevemos sobre o envelhecimento e sobre as pessoas idosas podem ter impactos positivos e transformadores. Por esta razão é que este “Guia para não sermos etaristas em nossas comunicações” poderá nos ajudar a elaborar uma linguagem correta e inclusiva, que irá, inclusive, desafiar o preconceito etário (muitas vezes existente em nós mesmos).

É de conhecimento geral que o etarismo está generalizado na sociedade e pode ser encontrado em todos os lugares, desde os nossos locais de trabalho e até nos estereótipos que vemos na TV, na publicidade e na mídia.

Posto a linguagem e as imagens transmitirem significado que alimentam suposições e julgamentos preconceituosos, a leitura deste guia vai nos dar a confiança necessária para desafiarmos o idadismo e valorizarmos as representações positivas e realistas do envelhecimento que encontrarmos.

Esclareço que este “Guia para não sermos etaristas em nossas comunicações” apresenta uma síntese de artigos publicados para a Campanha Global de Combate ao Etarismo, da OMS Organização Mundial de Saúde, que visa melhorar a comunicação, e evitar o preconceito de idade em mensagens e imagens que usamos; pelo Centre for Ageing Better, uma fundação do Reino Unido destinada ao combate ao idadismo e valorização dos direitos humanos da pessoa idosa; e para a apresentação do Glossário Coletivo de enfrentamento ao Idadismo, criado pela Consultoria Longevida cujo objetivo é promover a cidadania da pessoa idosa no Brasil, com termos, expressões e depoimentos que denotam preconceito contra a pessoa idosa.

Ressalto, portanto, a importância da leitura na íntegra das referências acima mencionadas, com vistas ao conhecimento de todas as orientações que apresentam.

Boa leitura!

1 – Troque associações do envelhecimento a fragilidades, vulnerabilidades ou dependências

Guia para não ser etaristas - Silvia Triboni

Não se concentre apenas em retratos da velhice como um tempo de fragilidade,

ou como um estágio de vida associado a gostos particulares, por exemplo, o tricô.

Ser mais velho não significa necessariamente ser frágil, vulnerável ou dependente. Pessoas mais velhas continuam a ser ativas e participativas e contribuem de várias maneiras em seus locais de trabalho, comunidades e sociedade.

Adote representações realistas do envelhecimento:

– Dê voz aos adultos mais velhos

Histórias pessoais e as experiências dos adultos mais velhos podem dar destaque ao valor que há na diversidade etária.

Não reforce ideias de ‘envelhecimento bem-sucedido’ menosprezando as demais vivências. A forma como nós envelhecemos é frequentemente mais um produto do nosso ambiente do que de escolhas pessoais.

– Use uma linguagem neutra e precisa.

Evite termos que possam ser vistos como estigmatizantes, bem como aqueles que tenham sido usados com sentido pejorativo ou que estejam associados a uma competência inferior.

Evite dizer

. Não se refira a alguém como “Vô, Vó” (se não forem seus avós verdadeiros).

. Não chame as pessoas dos lares, ou institutos de longa permanência, de ‘pacientes’. Há pessoas que vivem nestes locais por opção. Mesmo onde a ajuda e assistência seja necessária à pessoa, evite esta expressão.

. Evite usar termos e linguagem que evoque pena e faça adultos mais velhos parecerem um grupo separado do resto da sociedade.

EXPERIMENTE

O termo adulto(s) mais velho(s); pessoa(s) mais velha(s) ou pessoa(s) idosa(s) são respeitosos e devem ser o padrão se forem claros e precisos ao se fazer referência à idade de alguém. Se possível, pergunte às pessoas que termos preferem.

Quando for relevante ser específico quanto à idade use: pessoas com 60 anos ou mais, etc.

2 – Evite o etarismo compassivo

A linguagem deve mostrar uma compreensão sobre a situação das pessoas, sem ser compassiva, estereotipada ou paternalista. É melhor usar uma linguagem objetiva e não enfocar apenas a idade, a deficiência ou outros estereótipos associados a diferentes faixas etárias.

Esteja atento ao preconceito compassivo, bem intencionado, de mentalidade paternalista, onde pessoas idosas são retratadas como vulneráveis e que requerem proteção.

Evite dizer

. Não use termos como ‘querida’, ‘jovem de coração’, ou ‘vó, ou vô’. Sempre se refira às pessoas por seus nomes.

. Não declare a idade de alguém, a menos que seja relevante. No entanto, se deve dizer a idade de alguém, seja específico.

. Evite linguagem sensacionalista negativa, do tipo: ‘vulnerável’, ‘desesperado’ e “apavorado” ou positiva, por exemplo: ‘amado’ e ‘sorridente’.

Guia para não sermos etaristas - Silvia Triboni

3 –  Não alimente conflito entre gerações

A ideia de um ‘conflito intergeracional’ tem ganhado relevo na sociedade. Há quem não concorde que os benefícios para as pessoas mais velhas custem tanto às pessoas mais jovens.

Evite dizer

. Evite metáforas que apresentem o envelhecimento em termos de crise.

Metáforas refletem uma percepção da geração baby boomer como um fardo social. Certos enquadramentos evocam imagens de um número incontrolável de adultos mais velhos que representarão um problema para a sociedade.

Evite as seguintes expressões:

 – Tsunami prateado

 – Penhasco demográfico

 – Bomba-relógio demográfica

EXPERIMENTE

Posicionar as informações sobre o envelhecimento da população de forma neutra, a permitir uma apresentação equilibrada das oportunidades e desafios associados à transição demográfica.

4 – Escolha as imagens com cuidado

As Imagens usadas ao lado de histórias sobre as pessoas idosas frequentemente são caricaturas sobre o envelhecimento. É importante mostrar representações positivas e que refletem a realidade da vida desses indivíduos.

Evite

Imagens com com adultos mais velhos a fazer paraquedismo ou com mãos enrugadas entrelaçadas. O uso generalizado deste tipo de imagem é desumanizante.

Embora isso possa refletir algumas das realidades das pessoas mais velhas, não representa todas as realidades que vemos na velhice.

EXPERIMENTE

. Experimente dar prioridade às imagens mais positivas e diversificadas que possam ilustrar melhor as diferentes realidades das populações mais velhas.

5 – Evite generalizações

Ter a mesma idade não significa que se é igual. Na verdade, tornamo-nos cada vez mais diversificados à medida que envelhecemos. Apesar dessa realidade, pessoas mais jovens e mais velhas tendem a ser retratadas de forma homogênea como uniformemente frágeis, vulneráveis e dependentes, ou invencíveis e ativas. As nossas experiências de vida e capacidades intrínsecas são apenas parcialmente correlacionadas com a nossa idade. Portanto, assumir que todas as pessoas de uma determinada idade são iguais não reflete com precisão o mundo ao nosso redor.

Evite fazer

. evite fazer descrições generalizadoras se referindo às pessoas mais velhas como ‘eles’ ou ‘deles’.

Pronome como “eles” e “deles” retratam pessoas mais jovens e mais velhas como se fossem um grupo separado e não parte de nossa sociedade.

EXPERIMENTE

Sempre que possível, tente usar uma linguagem inclusiva. Substitua “eles” ou “deles” por “nós” ou “nosso”. 

Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo - Longevida

6 – Adote o Glossário Coletivo de enfrentamento ao idadismo

Este glossário é mais uma ferramenta educativa criada pela Consultoria Longevida, no bojo das ações da Campanha de Enfrentamento ao Idadismo chamada “Lugar de pessoa idosa é onde ela quiser”.

O valioso material aqui apresentado foi produzido de forma colaborativa, com importantes parceiros, e reúne termos, expressões, frases e situações que revelam como o etarismo e o preconceito contra a pessoa idosa, estão presentes em nosso dia-a-dia. O melhor, muito de seu conteúdo foi apresentado, voluntariamente, por pessoas idosas, as quais relataram a linguagem preconceituosa, ou idadista, que mais a magoam, ou incomodam.

Vale a pena fazer o download gratuito do Glossário Coletivo de enfrentamento ao idadismo.

Muito obrigada!

Silvia Triboni

Fundadora do projeto Across the Seven Seas, Repórter 60+ e Deputy Ambassador na Aging2.0 Lisbon

www.acrosssevenseas.com

(Imagem principal: Chinese photo created by rawpixel.com – www.freepik.com)

Marcio Lobo - cartunista

Cartunista Marcio Lobo reflete sobre idadismo com sua arte

Texto: Katia Brito

Marcio Lobo, cartunista autodidata, que em março completará 56 anos, é o autor dos cartuns em destaque nas redes sociais da Longevida. A inspiração veio do Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo, lançado em dezembro do ano passado pela Longevida e parceiros, e especialmente do tema da campanha que deu origem à publicação: #lugardepessoaidosaéondeelaquiser: “Sem nenhum exagero, após ler a frase a criação foi automática, questão de segundos, foi incrível!”, conta. Conheça um pouco mais sobre ele nesta entrevista.

Como conheceu o Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo? Já esteve ou está engajado em movimentos de longevidade?

Fui “marcado” por uma amiga (Silvia Triboni) num post do Grupo Maturi no Facebook. Entrei, fucei e adorei. Muito conteúdo, muita seriedade e muita relevância, muito mais que uma prestação de serviço. Conheci o Glossário nesse grupo. Nunca estive engajado em movimentos de longevidade até porque não sabia da existência deles, só que hoje isso virou um desejo.

Cartum Lobo - Glossário

Qual sua primeira impressão da frase da Campanha de Enfrentamento ao Idadismo da Longevida: #lugardepessoaidosaéondeelaquiser?

Uau, a frase! Foi absurdamente impactante, é uma frase absoluta, que não precisa ser explicada; nela contém respeito, protesto, enfrentamento, calor… enfim, uma frase libertadora. Gostaria muito de conhecer o (a) autor (a).

Como foi a criação das ilustrações inspiradas na frase?

Sem nenhum exagero, após ler a frase a criação foi automática, questão de segundos, foi incrível! Ao ler o glossário e os depoimentos houve uma mistura de sentimentos e confesso que entre eles houve uma boa dose de revolta. Não imaginava que esse preconceito fosse tão intenso e pesado, fiquei meio passado.

Como você avalia a importância da luta contra o idadismo?

Na minha opinião é de extrema importância que isso seja combatido incansavelmente, pois não se trata apenas de educação moral ou cidadania, e sim de saúde mental, bem-estar e respeito pela biografia de cada um.

Você sempre foi cartunista? Como e quando começou sua carreira?

Sim, sempre. O cartum sempre fez parte da minha vida. Com 11 anos de idade, havia criado exatos 51 personagens e alguns deles eu trabalhei em formato de historias em quadrinhos. Nunca parei. Comecei minha carreira em meados de 1982 na agência de publicidade James Walter Thompson como ilustrator training após ter vencido três concursos de desenho em nível nacional.

O que o motivou a trabalhar neste universo?

Aos 16 anos, conquistei o primeiro lugar num concurso de desenho promovido pela Rede Globo de Televisão e, aos 17, o primeiro lugar em dois concursos promovidos pela Editora Abril Cultural. Essas conquistas me renderam um Mini Buggy, uma moto 0 Km e um microcomputador, e isso me motivou a buscar um espaço profissional.

Quais os trabalhos de maior destaque na sua trajetória?

Minha relação com meus desenhos é 100% afetiva e não consigo destacar um ou outro. Tenho vários prêmios nacionais e internacionais, mas isso não quer dizer que algum mereça um destaque pessoal. Eu me orgulho sim, porém sem nenhuma vaidade, de ter trabalhado como cenarista em dois curtas-metragens Disney para a série DukeTales nos anos 90; trabalhos prazerosos e junto a uma equipe brilhante e inesquecível.

Como é seu trabalho hoje?

Há cinco anos, trabalho em casa como freelancer. Com o passar do tempo, uma recolocação se tornou impossível, pois a idade vai pesando. Sinto que fui ganhando alguns rótulos nada verdadeiros, do tipo, desatualizado, ultrapassado, inflexível, entre outros. Ouvi também de um ex-contratante que me tornei caro para o mercado, então desisti de tentar me recolocar, mas hoje me sinto feliz nessa condição.

A maturidade mudou sua perspectiva como cartunista?

Sim, a maturidade muda TUDO. O humor dos anos 80, 90 e 2000 são completamente diferentes do humor atual. O mundo mudou também e muito rápido por conta da tecnologia e acho que com esses novos cenários, novos conceitos e as novas necessidades, nós, cartunistas, precisamos de novos olhares.

Como você avalia a importância da sua arte nos dias de hoje? O que te inspira a desenhar?

A arte é absoluta, importante e necessária para a vida, seja ela minha, de gerações passadas ou a das que virão. A minha inspiração vem de tudo o que a vida me apresenta e o que mais me motiva a desenhar é exatamente tudo que me incomoda.

Quais são seus projetos para 2022? 

Inicio o ano concentrado em projetos autorais, (em fevereiro) lançarei uma história em quadrinhos na plataforma Amazon, e na sequência darei andamento a um livro infantil que foi baseado em um fato que ocorreu com a minha filhota numa praia da Bahia quando estávamos em férias. É um livro bem conceitual e com uma mensagem que vale para toda vida. Devo também abrir canais no YouTube com conteúdos sobre desenho, humor gráfico e cartuns animados. No mais, devo tirar outros projetos da gaveta, que apesar de estarem guardados são atuais, e dar andamento. Saiba mais no site Ilustralobo.wixsite.com/lobo

Velhice não é doença

OMS retira “velhice” da classificação de doenças

Movimento #velhicenãoédoença

Por determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de 1º de janeiro de 2022, “Velhice” passaria a integrar a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde – CID11, no capítulo sinais, sintomas e achados inespecíficos relacionados à saúde. Essa inclusão causaria um impacto negativo de proporções incalculáveis em vários segmentos, da saúde à economia, reforçando preconceito contra os mais velhos (idadismo), modificando as estatísticas de morbimortalidade e fomentando a indústria anti-ageing. Tal decisão representava um significativo retrocesso na área de gerontologia que, há décadas trabalha em prol do envelhecimento e do respeito à dignidade das pessoas idosas.

Embora essa decisão da OMS datasse de 2018, ela veio à tona no final de maio de 2021 por meio do canal @oquerolanageronto em uma live tendo como convidados Dr. Alexandre Kalache (ILC-Brasil) e Dr. Carlos Uehara (SBGG) dando início a uma grande mobilização da sociedade civil e criando o movimento #velhice não é doença que agregou diferentes pessoas e instituições em favor da exclusão desse código da CID11. 

Sob a liderança Dr Kalache, reconhecido internacionalmente por conquistas em prol do Envelhecimento Ativo e Saudável, esse movimento produziu inúmeros encontros e discussões virtuais, além de documentos encaminhados ao Ministro da Saúde e à própria OMS. O propósito de valorização do envelhecer com dignidade ganhou rapidamente a adesão de milhares de pessoas e de instituições importantes como: Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR), Pastoral da Pessoa Idosa, SESC, universidades públicas, CONASS, CONASEMS, ativistas políticos como o ex-vereador Gilberto Natalini.

A presidente destituída do Conselho Nacional de Direitos das Pessoas Idosas, Lúcia Secotti, a Longevida, o Movimento Atualiza, ABG (Associação Brasileira de Gerontologia), entre outras, se uniram à causa, que repercutiu junto à sociedade civil, à imprensa e as mídias em geral. O Movimento #velhicenãoédoença extrapolou fronteiras e ganhou a adesão de profissionais e instituições de diversos países da América Latina e da Europa, entre eles a Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria (IAGG) e o Ministério da Saúde da Costa Rica.

Vitória das pessoas idosas

Longevida - Velhice não é doença

Finalmente, após meses de ampla articulação e forte presença nas redes sociais, a OMS decidiu que o código “Velhice” será retirado da CID-11. O anúncio foi feito pela direção da divisão que coordena a iniciativa ‘Década do Envelhecimento Saudável’ a Kalache em 14 de dezembro. ‘Um dia histórico de conquista da sociedade civil brasileira que beneficiará as pessoas idosas de todo o mundo’, comemora. A mudança já consta no site da OMS e no lugar de “Old age”, no código MG2A consta Ageing associated decline in intrinsic capacity (capacidade intrínseca em declínio associada ao envelhecimento).

O movimento #velhicenãoédoença continuará estimulando o debate público sobre as implicações do termo que substituirá a palavra ‘velhice’ na CID-11, bem como prosseguirá na defesa dos direitos à vida e às práticas cidadãs em prol do bem-estar das pessoas idosas – como proposto pela Convenção Pan-Americana de Direitos das Pessoas Idosas ainda não endossado pelo governo brasileiro. Acompanhe o perfil do Instagram e a página do Facebook do movimento.

Longevida

O braço social da Longevida participa ativamente desde o início do movimento “Velhice não é Doença” com Sandra Gomes, na articulação, e Karen Garcia de Farias, no marketing e nas redes sociais, juntamente com Luanna Roteia. Katia Brito e Silvia Triboni também colaboram com a iniciativa. A PNZ Comunicação, de Fabian Ponzi, parceiro da Longevida, foi responsável pela identidade visual do movimento.

Portais de Pernambuco, São Paulo e Portugal destacam o Glossário Coletivo

O lançamento do Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo, realizado no dia 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos, foi destaque em veículos de comunicação de São Paulo, Pernambuco e Portugal. A publicação foi idealizada pela Longevida e conta com importantes parceiros: a Prefeitura de Recife, por meio da Gerência da Pessoa Idosa; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo; Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de São PauloCasa Vovó Bibia de Apoio à Família, também de Recife (PE), e o Movimento Atualiza. A publicação estará disponível para download no site da Longevida – www.longevida.ong.br. O material reúne termos, expressões, frases e situações que expressam o idadismo, preconceito contra a pessoa idosa. Confira as publicações:

ENVELHECER (Portugal)

LONGEVINEWS (Região Metropolitana de Campinas/SP)

PORTAL DO ENVELHECIMENTO (São Paulo)

PORTAL PINZÓN (Pernambuco)