Centenário Paulo Freire

TV Cultura produz documentário em homenagem aos 100 anos de Paulo Freire

TV Cultura / Imagem: Especial #100AnosPauloFreire- Cenpec

No domingo, dia 19 de setembro, se comemora o centenário de nascimento do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, e em referência à data a TV Cultura exibe um documentário inédito sobre o educador. Produzido pelo departamento de jornalismo da emissora, a produção “Paulo Freire, 100 anos” vai ao ar neste sábado, dia 18, às 22 horas, apresentada pelo jornalista e diretor Leão Serva.

O livro Pedagogia do Oprimido é um marco na obra de Paulo Freire, um grande pensador brasileiro das ciências humanas e um dos mais reconhecidos. Ele foi professor das universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e Cambridge, na Inglaterra, e teve mais de 40 títulos de doutor honoris causa em universidades como Oxford, na Inglaterra, e Coimbra, em Portugal.

“Paulo Freire, 100 Anos” traz os principais estudiosos da obra do educador para explicar sua importância e, ao mesmo tempo, os motivos dele estar sendo vítima de tantos ataques extremistas. Entre eles, Mario Sergio Cortella, o professor, filósofo e pedagogo Dermeval Saviani e o diretor de Educação de Jovens e Adultos do Colégio Santa Cruz, Fernando Frochtengartenr.

Exílio

Paulo Freire nasceu em Pernambuco, foi preso pela ditadura militar e exilado. Ficou fora do país por 16 anos começando pela Bolívia, em 1964. No Chile, Freire concebeu a teoria da pedagogia do oprimido e na Suíça, onde trabalhava para o Conselho Mundial de Igrejas, ganhou projeção mundial e participou também da alfabetização de populações pobres no continente africano.

Com a anistia e o retorno ao Brasil em 1980, Paulo Freire continuou a produzir obras importantes como a “Pedagogia da Esperança”. Foi professor da PUC e secretário municipal de Educação de São Paulo. O documentário traz um comentário do patrono da educação sobre sonhos: “Acho que não é possível existir humanamente sem sonhos, sem utopias. Sonhos enquanto projetos, enquanto programa, curiosidade, enquanto querer ser diferente”.

Fórum Revista Mais 60 - Sesc São Paulo

Fórum Revista Mais 60 debate abordagem transversal do envelhecimento e longevidade

Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo

Entre quarta e sexta-feira, dias 15 e 17 de setembro, o Fórum Revista Mais 60 vai discutir o processo de envelhecimento e a longevidade no Brasil em seu contexto histórico, cultural e social, por meio dos assuntos que foram tratados nas 20 edições da Revista Mais 60. A publicação destaca-se por compartilhar conhecimentos de maneira gratuita, na versão digital e impressa, e chamar a atenção do público que atua com idosos e estuda transversalmente a área do envelhecimento e longevidade.

Acompanhe a programação gratuita do fórum no canal do YouTube do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo: youtube.com/cpfsesc. As palestras serão das 15 horas às 16h15 e das 16h30 às 18 horas. Entre os temas que serão abordados estão: o envelhecimento no Brasil a partir da década de 60, até os dias atuais; a transversalidade dos estudos sobre envelhecimento e longevidade; e a diversidade das velhices e o que a pandemia revelou.

Outros temas na programação do fórum serão: a Década do Envelhecimento Saudável, e os próximos passos no Brasil; a heterogeneidade da velhice – similaridades e contrastes regionais, a representatividade da pessoa idosa nos territórios; e a construção da longevidade e a desconstrução de preconceitos.

Entre os palestrantes convidados: Carlos Eduardo Henning, professor de Antropologia na UFG e pesquisador do Ser-Tão (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da UFG); Alexandre Silva, especialista em Gerontologia pela Unifesp e doutor em Saúde Pública pela USP; Danilo Santos de Miranda, diretor Regional do Sesc São Paulo, sociólogo, autor e gestor cultural; Guita Grin Debert, professora Titular do Departamento de Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp; Karla Giacomin, médica geriatra; e Alexandre Kalache, mestre em Medicina Social, pertence a conselhos de instituições como a ONU, OMS, Fórum Econômico Global, Federação Internacional do Envelhecimento e várias outras.

Mais informações e a programação completa no site – https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/

Longevidade e envelhecimento - podcast Impulso Positivo

Impulso Positivo destaca boas práticas do envelhecimento e longevidade

O podcast do Impulso Positivo, comandado por Sofia Alçada diretamente de Portugal, traz um episódio especial sobre boas práticas de envelhecimento e longevidade com a participação de Sandra Regina Gomes, diretora e fundadora da Longevida. Especialista em gerontologia com um vasto currículo na área de políticas públicas e no apoio ao envelhecimento e a população mais velha. Sandra destaca boas práticas e casos de sucesso para o envelhecimento e longevidade. Também participa do episódio Silvia Triboni, do Across Seven Seas, que além de entrevistadora foi ponte entre a relação Brasil (Longevida) e Portugal (Impulso Positivo).

O Impulso Positivo é uma plataforma de comunicação focada na temática da longevidade e do envelhecimento ativo e positivo. Sua missão é ser informativo, útil, inclusivo e principalmente inspirador. Sofia Alçada, diretora executiva da plataforma, é consultora e formadora de marketing e empreendedorismo.

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Idosos negros - pesquisa

Estudo em São Paulo aponta que saúde de idosos negros é pior

Jornal da USP / Imagem de Leroy Skalstad por Pixabay 

Um estudo divulgado recentemente mostrou que os idosos negros na cidade de São Paulo apresentam piores condições de escolaridade, renda, hipertensão arterial e menos acesso a serviços privados de saúde em relação aos brancos. Na pesquisa conduzida pelo doutor em epidemiologia Roudom Ferreira Moura, os idosos negros também avaliaram sua saúde de forma pior: 45,5 % dos idosos pardos e 47,2% dos idosos pretos descreveram seu estado de saúde negativamente (regular, ruim ou muito ruim), enquanto nos idosos brancos esse número foi de 33%.

O trabalho consistiu em uma análise estatística que buscou entender a relação entre condições sociais e de saúde e variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais e o uso e o acesso a serviços de saúde associados com cor da pele/raça autodeclarada. Foram avaliados 1.017 idosos do município de São Paulo (63,3% brancos, 21,4% pardos e 7,3% pretos/negros), a partir de dados coletados pelo Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital-SP-2015), da Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Apesar de a maioria da população brasileira ser negra, de acordo com o pesquisador, esse recorte demográfico é minoria entre os idosos, pois a expectativa de vida dos negros é pior que a dos brancos. Segundo Moura, as desigualdades raciais na saúde são um tema historicamente negligenciado na academia brasileira. Até 1996, por exemplo, 87% dos registros de óbitos do Estado de São Paulo sequer tinham indicação de qual era a cor da pele / raça dos indivíduos.

Para o pesquisador, o racismo é uma questão bastante controversa no Brasil, onde a influência de ideias como a teoria da democracia racial, muito difundida por autores como Gilberto Freyre, ainda dificulta o reconhecimento da existência desse problema social. Algo que aparece, inclusive, na resistência de algumas publicações a aceitar artigos pautando esse tema, embora seja inegável a importância de investigar essas desigualdades para a aplicação de políticas de saúde pública de qualidade.

Identificar os fatores determinantes sociais e de saúde da população idosa do município de São Paulo sob uma perspectiva racial foi o objetivo da tese de doutorado de Moura, intitulada Idosos brancos e negros da Cidade de São Paulo: desigualdades das condições sociais e de saúde, orientada pelo professor José Leopoldo Ferreira Antunes, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

O pesquisador afirma que esses indicadores se explicam por condições de racismo estrutural e institucional que se iniciaram, provavelmente, ainda na infância desses indivíduos negros e os afetaram negativamente quanto às questões de desenvolvimento e envelhecimento, classe social, nível de escolaridade, condições e tipos de trabalho, renda, acesso e uso de bens e serviços e condições de saúde.

Pessoa idosa com deficiência - dados IBGE

Um em cada quatro idosos tinha algum tipo de deficiência em 2019

Agência IBGE / Imagem Mulher foto criado por DCStudio – br.freepik.com

Dos 17,3 milhões de pessoas com deficiência no país em 2019, quase metade (49,4%) era idosa, ou seja, tinham 60 anos ou mais de idade. Considerando a população total por grupos etários, um a cada quatro idosos (24,8%) tinha algum tipo de deficiência. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 – Ciclos de vida, divulgada no dia 26 de agosto pelo IBGE.

A deficiência visual teve o maior percentual nessa faixa de idade: 9,2% dos idosos declararam ter muita dificuldade ou não conseguiam de modo algum enxergar. A quantidade de pessoas com deficiência auditiva também aumenta conforme o avançar da idade: cerca de 1,5 milhão de pessoas com deficiência auditiva tinha mais de 60 anos. Isso equivale a 4,3% dos idosos.

O uso de algum recurso para ouvir melhor, como aparelho auditivo e implante coclear, de acordo com o levantamento, era feito por 0,8% da população acima de dois anos, independentemente de ter alguma deficiência ou do grau de dificuldade das pessoas. Entre os idosos, o percentual foi de 3,1%.

A pesquisa também estimou em 3,3 milhões o número de idosos com alguma limitação funcional para realizar Atividades de Vida Diária (AVD), como trocar de roupa, alimentar-se e higienizar-se. Esse contingente corresponde a 9,5% das pessoas nessa faixa etária. A proporção também aumenta à medida que a idade avança, chegando a 18,5% entre as pessoas com mais de 75 anos.