A PÓS-GRADUAÇÃO EM GERONTOLOGIA DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN: FORMAÇÃO INTERDISCIPLINAR E CONTRIBUIÇÕES PARA O CAMPO DO ENVELHECIMENTO NO BRASIL

Samara Eleuterio, Sandra Gomes, Regina Helou, Ana Cristina Procópio de Oliveira Aguiar e Pérola Melissa Vianna Braga.

No último dia 07, um sábado chuvoso aqui em São Paulo, estivemos todas e todos juntos — alunas, alunos, professoras, professores e coordenadora — para o encerramento de mais uma turma da Pós-graduação em Gerontologia, ano de 2025.

Foi um encontro marcado pela afetividade, pela alegria e pela leveza, mas, sobretudo, pela certeza compartilhada de que saímos, todas(os) nós, profundamente transformadas(os) por mais uma experiência formativa. Nesse momento, vieram à memória as palavras do professor Paulo Freire @institutopaulofreire no seu livro Pedagogia da Autonomia (1996): “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.” A frase ecoou como síntese viva do que foi vivido ao longo dessa trajetória coletiva.

É a partir desse pressuposto, que se insere desde 2007 a Pós-graduação em Gerontologia do Hospital Israelita Albert Einstein @hosp_einstein na cidade de São Paulo, consolidando-se como uma iniciativa relevante, ética, empática e sensível na qualificação de profissionais que atuam com o envelhecimento no Brasil. Nesse sentido, a formação em Gerontologia reafirma a centralidade da abordagem interdisciplinar para a atuação cotidiana diante da diversidade das velhices e do processo de envelhecer.

Adotar um novo olhar sobre o envelhecimento implica superar concepções reducionistas que associam a velhice exclusivamente à doença, à dependência ou à perda, reconhecendo-a como uma etapa da vida marcada por diversidade, potência e autonomia. A velhice deve ser compreendida como um processo heterogêneo, socialmente construído e profundamente influenciado pelas condições de vida, pela regionalização, pelas trajetórias individuais e pelas oportunidades de acesso a direitos ao longo do curso da vida. Esse novo olhar desloca o foco do déficit para a dignidade, da tutela para a autonomia e da homogeneização para o reconhecimento da diversidade das velhices, contribuindo para práticas profissionais, políticas públicas e formas de cuidado mais inclusivas, equitativas e comprometidas com a cidadania das pessoas idosas.

Ao longo dessa caminhada formativa foram fortalecidos esses conteúdos, realizadas reflexões críticas, efetivadas trocas interdisciplinares e executadas práticas orientadas pela ética, pela dignidade e pela defesa dos direitos das pessoas idosas.

Iniciativas como essa reafirmam o papel da educação como eixo estruturante para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e cuidadora ao longo de todo o curso da vida.

Parabéns, turma de 2025 da Pós Graduação em Gerontologia!

Parabéns, a todas nós professoras e professores!

Parabéns, a Coordenadora professora Ana Cristina Procópio de Oliveira Aguiar @tinaaguiar !

Sandra Regina Gomes -Titulada Especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e Mestre em Gestão e Políticas Públicas na Fundação Getúlio Vargas (SP). Doutoranda da UnB – Universidade de Brasília. Pesquisadora da UnB no Grupo de Pesquisa Envelhecer Cotidiano. Fundadora e Diretora da Longevida – consultoria na área do Envelhecimento. sanrgomes@gmail.com

Um desentendimento sobre a Previdência Social

A análise do vídeo em questão revela uma dualidade relevante. Assista em https://youtu.be/Ov9Fxr50eAA?si=bARVwt1Kp8fPgvFb.

Até aproximadamente o quarto minuto, o conteúdo apresenta uma abordagem sensível e adequada sobre o processo de envelhecimento, valorizando aspectos como estilo de vida, educação, qualidade de vida e promoção de saúde. Contudo, a partir desse ponto, observa-se uma inflexão discursiva preocupante, marcada por elementos de idadismo estrutural e por um equívoco conceitual significativo em relação à Previdência Social.

O principal problema reside na associação direta entre o aumento da expectativa de vida e a suposta inevitabilidade de déficit previdenciário. Tal argumento simplifica um tema estruturalmente complexo e desconsidera análises econômicas e institucionais que demonstram que a sustentabilidade da Previdência Social não se resume à variável demográfica. Estudos técnicos e documentos de entidades especializadas indicam que o debate previdenciário envolve fatores como gestão de recursos, destinação orçamentária, políticas tributárias, mercado de trabalho e financiamento intergeracional, e não o número de pessoas idosas na sociedade.

Ao atribuir o risco de desequilíbrio previdenciário ao envelhecimento populacional, o vídeo incorre em uma narrativa reducionista que reforça a ideia da pessoa idosa como “custo social”, deslocando o foco das discussões estruturais para um viés demográfico. Essa abordagem não apenas carece de precisão técnica, como também contribui para o fortalecimento de preconceitos etários, produzindo um efeito contrário ao que se espera de iniciativas educativas voltadas ao combate ao idadismo.

Outro aspecto relevante é a ausência de problematização acerca das transformações no mercado de trabalho e das exigências contributivas impostas às novas gerações. A ampliação da informalidade laboral, aliada à exigência de longos períodos contínuos de contribuição, cria barreiras concretas de acesso à aposentadoria futura. Portanto, a discussão sobre Previdência Social exige uma perspectiva sistêmica que contemple dinâmica econômica, políticas de emprego, reforma tributária e proteção social, e não o aumento da longevidade.

Embora o vídeo destaque a importância da educação, do esporte e de hábitos saudáveis, a abordagem educacional apresentada carece de maior profundidade crítica, especialmente diante dos desafios contemporâneos relacionados à transformação tecnológica, às desigualdades estruturais e à preparação das novas gerações para trajetórias laborais sustentáveis.

Dessa forma, o conteúdo, que inicialmente poderia contribuir para a valorização do envelhecimento com dignidade, termina por reproduzir uma narrativa que associa longevidade a entrave econômico e à limitação do desenvolvimento nacional. Tal perspectiva não apenas empobrece o debate público, como também compromete a construção de uma cultura de cuidado e de reconhecimento do envelhecimento como conquista social e investimento coletivo.

Em síntese, o vídeo possui potencial educativo em sua introdução, mas perde consistência analítica ao tratar da Previdência Social, transformando uma discussão complexa em uma leitura simplificada e potencialmente estigmatizante. O tema requer abordagem técnica, plural e fundamentada em dados estruturais, sob pena de reforçar concepções equivocadas e ampliar percepções negativas sobre a população idosa.

Infelizmente, esse vídeo não traz uma amplitude do entendimento do processo de envelhecimento com dignidade.

Sandra Regina Gomes -Titulada Especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e Mestre em Gestão e Políticas Públicas na Fundação Getúlio Vargas (SP). Doutoranda da UnB – Universidade de Brasília. Pesquisadora da UnB no Grupo de Pesquisa Envelhecer Cotidiano. Fundadora e Diretora da Longevida – consultoria na área do Envelhecimento. sanrgomes@gmail.com

Uma experiência inusitada: a criação da Escola de Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa “Professor Paulo Freire”.

Por Sandra Regina Gomes

Neste 19 de setembro de 2021, completa-se o centenário de nascimento do professor Paulo Freire e não poderíamos deixar passar esta data sem enaltecer aquele que foi – e ainda é – o maior educador brasileiro que se tem notícia, reconhecido nacional e internacionalmente. Celebrar Paulo Freire é enaltecer o seu espírito, que sempre se apresentou com pensamentos rebeldes, temperado com critica, com trabalho coletivo, com fomento para que os sujeitos fossem protagonistas de sua história, com sonhos de justiça e equidade. Ele acreditava que a alegria se constrói coletivamente e que o foco principal é o cuidado. E que a educação é pautada na amorosidade.

Tendo como diretrizes estes pressupostos, em setembro de 2017, criei a Escola de Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa “Professor Paulo Freire”, quando assumi a Coordenação de Políticas para Pessoa Idosa, na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), da Prefeitura de São Paulo. A ideia de criar esta escola ocorreu logo nos primeiros encontros com o Grande Conselho Municipal do Idoso (GCMI), quando pude perceber a necessidade urgente de formação de seus membros.

A proposta da Escola de Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa “Professor Paulo Freire” surge, então, com o compromisso efetivo e pedagógico de fomentar práticas participativas de democratização da sociedade civil, tendo por inspiração as bases legais e institucionais pertinentes à atuação dos conselheiros. Assim, ao assumir o papel de “educador” o município contribui para o avanço da construção de uma cidadania ativa entre os conselheiros e conselheiras eleitos. Tal escola procura enfatizar que os benefícios de uma aprendizagem ao longo da vida têm impacto positivo na autoestima das pessoas com 60+, fortalece a autoconfiança e estimula a participação social.
Paulo Freire tem como proposta a educação dialógica, em que o educador e o educando aprendem juntos, e que o professor não tem o saber absoluto e o principal objetivo é a troca de experiência com a valorização da cultura desses atores.

Neste contexto, podemos afirmar que as pessoas idosas são atores sociais em destaque porque trazem as suas histórias e seus conhecimentos para criarem, em conjunto, uma forma de participação, promovendo processos de mudança de atitudes e valores, comportamentos para ampliarem a democratização e a consciência cidadã.
A sinergia entre estes pressupostos pedagógicos e o Envelhecimento Ativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) é inquestionável por ter em um dos seus pilares a aprendizagem ao longo do tempo, um recurso renovável que melhora a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem.

A Escola

O objetivo geral da Escola de Conselhos é capacitar os conselheiros e lideranças da comunidade para o exercício do protagonismo político na concretização dos direitos de cidadania das pessoas idosas.
A decisão sobre o conteúdo, forma de trabalho, abordagens e propostas metodológicas foram feitas com base nos conhecimentos e vivências dos conselheiros eleitos, dos candidatos ao Conselho e de lideranças dos Fóruns de Direitos da Pessoa Idosa da Cidade de São Paulo.

A Escola de Conselhos tem como foco o acesso à informação das estruturas e da operacionalização do Estado, para que o conselheiro e a conselheira tenham maior desenvoltura para o exercício do controle social. A proposta não é tecnocrática, mas orgânica, posto que proporciona espaços de análises e debates no processo de construção do conhecimento, para que os participantes sejam protagonistas políticos de direitos.

Foram realizadas até a presente data, quatro turmas da Escola de Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa “Professor Paulo Freire”, com a participação total de 200 alunos e alunas. No encerramento das atividades, os alunos recebem um certificado.

Ética

Com a palavras, o professor Paulo Freire: “Acho-me absolutamente convencido da natureza ética da prática educativa, enquanto prática especificamente humana. É que, por outro lado, nos achamos, ao nível do mundo e não apenas do Brasil, de tal maneira submetidos ao comando da malvadez da ética do mercado, que me parece ser pouco tudo o que façamos na defesa e na prática da ética universal do ser humano. Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos. Neste sentido, a transgressão dos princípios éticos é uma possibilidade, mas não é uma virtude. Não podemos aceitá-la” (livro Pedagogia da Autonomia, página 19):

Quando o professor Paulo Freire fala sobre ética, entendemos que tem relação direta com a construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna, onde o homem seja sujeito de sua própria história e respeite os direitos da coletividade. Ele nos conduz a sermos agentes de seu pensamento, das suas ideias, imbuídos de suas referências para criarmos espaços em que possamos esperançar, termo cunhado pelo pedagogo inspirador de nosso trabalho. O modelo de sociedade que ele defende é aquela sem oprimidos e opressores e a educação como prática de liberdade.

Porque velhice não é doença

Neste sábado , dia 31 de julho, às 16 horas, tem live do Sesc São Paulo com o tema “Porque velhice não é doença?”. Os convidados são Sandra Gomes, fundadora e diretora da Longevida, e Alexandre da Silva, especialista em gerontologia e doutor em Saúde Pública pela USP. A mediação será de Gustavo Nogueira, assistente técnico da Gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc São Paulo. Participe da conversa sobre velhice e quais os desfechos possíveis se, a partir de janeiro de 2022, passar a ser considerada uma doença. Evento gratuito pelo canal do YouTube do Sesc São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=9HRbe3hjSl4…

Campanha de sensibilização ao Ageísmo

A Longevida agradece à Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Rio de Janeiro e a ONG Eternamente SOU pelo convite para escrever o capítulo sobre participação social e a importância da representatividade da população idosa LGBTI+ nos Conselhos de Direitos.

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.” (Declaração Universal dos Direitos Humanos – Art.I).

Violência contra idoso: impactos e estratégias de enfrentamento a violação de direitos da pessoa idosa na atual conjuntura

O enfrentamento da violência contra a pessoa idosa é um dever de todos por isso o CECI Aparecida estará promovendo uma LIVE de Campanha em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. Tema:  Violência contra a pessoa idosa: Impactos e estratégias de enfretamento a violação de direitos da pessoa idosa.

https://www.instagram.com/p/CPuDrYLDnIl/?utm_medium=share_sheet