Estudo sobre cuidado e cuidadores encerra programação de lives

A professora Cecília Minayo defendeu a criação de uma política clara que proteja a pessoa idosa e os cuidadores

A programação de lives em comemoração aos dez anos da Longevida Consultoria terminou com a participação especial da professora Maria Cecília Minayo, no dia 28 de julho. A socióloga, mestre em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, apresentou o estudo situacional sobre idosos dependentes e cuidadores familiares.

Acompanhada da assistente social, professora e pesquisadora Daniela Reis, e de Sandra Gomes, fundadora e diretora da Longevida, a professora Minayo compartilhou suas reflexões sobre pessoas idosas que demandam algum tipo de ajuda, um desafio não apenas para as famílias, mas também para a sociedade e o Estado.

Diante de uma população que envelhece em ritmo acelerado, a pesquisadora destacou que 83,4% dos idosos moram com suas famílias, 14,9% vivem sozinhos e menos de 1% reside em instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), que mesmo com boa vontade às vezes não conseguem oferecer melhores condições aos residentes.

O estudo apresentado pela professora encontrou a prevalência 30,1% idosos com pelo menos uma limitação para as atividades da vida diária (AVD), chegando a 43% entre os analfabetos, 29% entre os que tinham instrução primária e 13,8% entre pessoas com formação superior. E como os analfabetos são os mais pobres, Minayo destacou o percentual grande de pessoas mais pobres, mais vulneráveis da sociedade brasileira que perderam sua capacidade de autonomia.  

As incapacidades funcionais, segundo a pesquisadora, estão associadas a doenças crônicas físicas, cognitivas, mentais, emocionais e motoras, que faz com que essas pessoas sejam reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde como vulneráveis ou dependentes, precisando de ajuda para a realização de atividades pessoais diárias ou para tarefas cotidianas. As mais elevadas taxas de prevalência de dependência se concentram no grupo de pessoas com 80 anos ou mais.

O estudo com idosos dependentes foi uma pesquisa qualitativa em oito estados brasileiros, que constatou que 92,2% idosos têm alguma doença incapacitante, a maioria das pessoas tem duas patologias (50,3%) e todos faziam tratamento medicamentoso. A maior prevalência foi de doenças cardiocirculatórias (88,1%).

De acordo com a pesquisadora, o estudo tem como finalidade colocar foco em um grupo dos idosos que precisam de mais cuidados do ponto de vista do custo médico, mas também tem sobre muita coisa que poderia ser feita para geração de empregos, implantação de centros dias e programas de atendimento em casa.

Cuidadores

Sobre o perfil dos cuidadores, Minayo destacou que a maioria são mulheres (84,5%) na faixa de 40 a 80 anos (66,7%), em geral filhas, irmãs, sobrinhas, netas e cônjuges. Embora em menor quantidade, também há homens cuidadores, como filhos que cuidam das mães. Segundo a pesquisadora, há pessoas cuidando de idosos de um a dez anos, sem férias ou descanso, empobrecidos, em alguns casos com a ajuda econômica de outros familiares.

No Brasil, a professora afirmou que o cuidado com a pessoa idosa dependente é responsabilidade da família, um modelo naturalizado que pesa sobre o bolso e a qualidade de vida. Enquanto em modelos internacionais há políticas específicas para pessoas idosas com incapacidade. Minayo defendeu a urgência de políticas públicas claras que protejam a pessoa idosa e os cuidadores.

Katia Brito – Jornalista

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